7 de abril de 2014

Eleições do DCE da USP 2014: Unidade da esquerda contra a direita e o governismo

Por Arielli Tavares, militante do PSTU e estudante de Letras da USP

07/04/2014 - As eleições que vão escolher a nova diretoria do DCE da USP acontecem nos dias 08, 09 e 10 de abril. Neste ano, 2014, essas eleições têm uma importância enorme, pois é a primeira vez que os estudantes da universidade vão debater os rumos do movimento estudantil após as históricas jornadas de junho.

DCE da USP tem uma linda história de lutas e resistência e essa tradição deve ser mantida. Por isso, a juventude do PSTU participa das eleições do DCE, compondo a chapa “Para Virar a USP do Avesso”, junto com o PSOL e centenas de ativistas que estão presentes nas mobilizações de rua e nas greves estudantis.



Na Copa do Mundo vai ter Luta!
2014 não será um ano tranqüilo. As eleições burguesas de outubro não vão conseguir estabilizar o país. A realização da Copa do Mundo não vem fortalecendo a presidente Dilma, como esperava o governo federal do PT.

Ao contrário, as desigualdades sociais impulsionadas pelo megaevento estão aumentando a insatisfação popular. O legado da Copa do Mundo não passa de especulação imobiliária, remoções forçadas, turismo sexual, mortes de operários, gastos públicos desnecessários e a perda da soberania nacional. 

Com o objetivo de realizar o Mundial com tranqüilidade, o Congresso Nacional quer aprovar uma nova Lei Antiprotesto, o AI-5 da FIFA, que tipifica manifestantes como terroristas. Porém, a juventude que protagonizou as jornadas de junho ano passado não vai se amedrontar diante das bombas e prisões. Vamos seguir nas ruas.

São Paulo: criminalização da pobreza, repressão das lutas e caos no transporte
O estado de São Paulo é recordista em violência urbana, criminalização da pobreza, repressão dos movimentos sociais e precariedade dos serviços públicos. O PSDB, que governa o estado há mais de vinte anos, vem aplicando ao longo do tempo uma política de higienização social, militarização dos conflitos sociais e privatização do bem público.  

A covarde reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos, foi um símbolo da aliança entre o PSDB e os especuladores e grandes empreiteiros. A Polícia Militar paulista é a mais violenta do país e vem acumulando um desgaste crescente entre a juventude e os trabalhadores. O genocídio da juventude negra das periferias não deixa dúvidas acerca do papel da PM, que está muito longe de assegurar a segurança da população. 

No estado de São Paulo, centenas de ativistas, entre eles dezenas de militantes do PSTU, foram presos e, agora, estão sendo investigados pelo poder público, acusados de formação de organização criminosa.

Como se já não bastasse tudo isso, recentemente veio à tona o escândalo de corrupção do Metrô e da CPTM. O “propinoduto” já atingiu o alto escalão do governo estadual e figuras relevantes do PSDB, que receberam por anos subornos de empresas multinacionais, como a Alston e a Siemens.

Desde 2012, no entanto, o governador Alckmin vem enfrentando uma onda de resistência contra suas políticas, das quais se destacam as ocupações urbanas por moradia, a luta dos trabalhadores metroviários da capital, as greves dos professores da rede pública paulista e as mobilizações estudantis, em especial das três universidades estaduais.    

Universidade de São Paulo: elitismo, privatização e crise orçamentária    
O projeto de educação aplicado na USP é a expressão da política do PSDB descrita acima. Não por acaso, é uma das universidades mais elitistas e antidemocráticas do Brasil, onde as fundações privadas tomam conta das pesquisas, e não há cotas raciais e nem políticas de permanência estudantil suficientes. Ao povo negro e pobre, ficam reservadas as vagas no trabalho terceirizado de vigilância e limpeza da USP.

Esse projeto de universidade só conseguiu até agora ser aplicado, pois existe uma estrutura de poder totalmente reacionária na USP, pela qual uma burocracia acadêmica de professores titulares e tecnocratas tucanos controla tudo. Na USP, no ano que lembramos os cinqüenta anos do Golpe Militar no Brasil, ainda convivemos com um Estatuto da época da Ditadura. Os reitores precisam ser indicados pelo governador, a partir da lista tríplice, 

A última gestão da reitoria, capitaneada por João Grandino Rodas, aprofundou o processo de elitização e privatização da USP, abrindo novas parcerias com a iniciativa privada e gastando milhões de reais em obras distantes das necessidades da comunidade acadêmica, como prédios administrativos e estacionamentos.

Hoje, o resultado dessa péssima gestão é uma enorme crise orçamentária, que está inviabilizando as atividades acadêmicas, a partir da contenção de despejas, contratações de professores e funcionários. Além disso, o Tribunal de Contas do estado de São Paulo não aprovou a prestação de contas da USP, pois a reitora em exercício de 2006 a 2009, Suely Villela recebia um salário maior que o governador.

O novo reitor, Marco Antonio Zago, já no primeiro Conselho Universitário do ano aprovou um corte de 30% dos gastos da USP, que deve diminuir drasticamente o investimento em áreas vitais, como permanência estudantil e condições de estudo e trabalho. 
 
A direita e o governismo tentam enganar os estudantes
Já está virando uma tradição do movimento estudantil da USP setores conservadores, ligados à reitoria e aos partidos da direita tradicional, como o PSDB e o PSD, formarem chapas para disputar as eleições do DCE da USP. 

Como a estrutura de poder antidemocrática não consegue controlar o movimento estudantil, o objetivo desses setores, que se apresentam nestas eleições com a chapa “USP Inova”, é tomar o controle do DCE, vinculando-o à burocracia universitária e ao governo estadual.

Por outro lado, os setores governistas, ligados à prefeitura de Haddad, como a Consulta Popular e algumas correntes internas do PT, formaram outra chapa chamada “Compor e Ouvir”. Esperam aproveitar o desgaste do PSDB e da reitoria, para recuperar o espaço perdido do petismo na USP.

Querem se apresentar enquanto uma alternativa à direita, através de um discurso a favor da democratização do próprio movimento estudantil, mas escondem que estão vinculados à direção da UNE, entidade burocratizada e governista. De outra parte, não dizem abertamente, porém não defendem as manifestações de rua contra as injustiças da Copa do Mundo FIFA para preservar o governo federal e facilitar a reeleição da Dilma em outubro.

Tanto os setores da direita como do governismo tentam enganar os estudantes da USP, buscando se passar por chapas independentes, apartidárias e democráticas. Pretendem se apresentar enquanto o novo no movimento estudantil e capitalizar a desconfiança da juventude paulista com os partidos da ordem e velha política. 

Podem representar o futuro e defender os interesses dos estudantes os partidos que governam há décadas o país, o estado de São Paulo e a prefeitura da capital paulista, PSDB, PT e PSD, contra os quais a juventude se levantou nas jornadas de junho? Nós acreditamos que não!

Unidade da esquerda para virar a USP do avesso!
Nós da juventude do PSTU estamos nos últimos três anos combatendo a divisão do movimento estudantil da USP, com uma política de unidade da esquerda, ao lado das correntes do PSOL. Temos orgulho de ser parte das últimas duas diretorias do DCE, uma unidade que organizou a greve e a ocupação de 2013 e lutou pela massificação e o fortalecimento do movimento e das entidades estudantis.

Estamos fazendo do processo de escolha da próxima diretoria do DCE da USP, uma grande campanha política de conscientização dos estudantes, apresentando um programa claro contra a privatização e a elitização da universidade, em defesa da ampliação do acesso, da democratização da universidade e de mais verbas públicas para resgatar a USP de sua crise orçamentária.

Somos a chapa que defende, igualmente, as bandeiras de luta contra as opressões. Queremos uma USP livre do racismo, da homofobia e do machismo. Reivindicamos cotas raciais, vagas especiais na moradia e creche para as alunas que são mães. Não toleramos nenhuma forma de violência contra as mulheres e LGBTs dentro da universidade.

Também somos aqueles que se identificam com as lutas da juventude e dos trabalhadores para além dos muros da USP. Por isso, estamos aproveitando a campanha eleitoral do DCE para denunciar o genocídio da juventude negra, a violência policial e a corrupção no transporte coletivo, assim como convocar os estudantes aos atos contra as injustiças da Copa do Mundo. 

A unidade da esquerda já teve sua primeira conquista antes mesmo das eleições do DCE, quando escrevemos uma chapa muito representativa, com mais de 530 integrantes, a maior da história do movimento estudantil uspiano. Uma chapa que reuniu os ativistas da ANEL e da oposição de esquerda da UNE, que está nas ruas e na USP construindo nas lutas um novo futuro do tamanho dos nossos sonhos.

1 comentários:

Não entendi. Vocês são contra ou a favor da UNE? Pareceu meio ambíguo pra mim.

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