17 de março de 2014

Maria Antonieta (PMDB) e Aldo Rebelo (PCdoB), uma parceria contra o povo do Guarujá

17/03/2014 - Na manhã desta sexta-feira, 14 de fevereiro, o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB), visitou Guarujá para fazer uma "vistoria" no Estádio Municipal Antônio Fernandes, que receberá os treinamentos da seleção da Bósnia. 

Na prática, ao lado da prefeita Maria Antonieta (PMDB), Aldo Rebelo desembarcou na Baixada Santista para tirar fotos à imprensa e fazer discursos ufanistas sobre o suposto "legado" de uma copa que antes mesmo de sua abertura já demonstra ser campeã no quesito desperdício de recursos públicos.

Guarujá é uma expressão contundente do desperdício de dinheiro público com um evento que será muito positivo... não para o povo, que desde as jornadas de junho exige saúde, educação, transporte e moradia de qualidade, mas sim para a FIFA e as empresas patrocinadoras do evento, que já vislumbram arrecadar lucros recordes no Brasil.

No total, serão investidos quase R$ 20 milhões em um estádio que após alguns meses não terá qualquer função social para a população. A remessa enviada pelo governador Geraldo Alckmin está estimada em R$ 12 milhões; já o Governo Dilma, através da pasta de Aldo Rebelo, estimou um repasse de R$ 4,5 milhões.

Tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde
Diante da situação caótica que vive a cidade, sobretudo em relação aos serviços públicos de saúde e à segurança, a afirmação "tem dinheiro pra Copa, mas não tem pra saúde" está na boca de muitas trabalhadoras e trabalhadores da cidade.

Há quem possa argumentar que não se pode misturar essa discussão, pois os recursos destinados à Copa não poderiam, de qualquer forma, ser investidos em saúde. No entanto, muito mais do que uma questão técnica ou administrativa, a aplicação de R$ 20 milhões em um estádio que servirá apenas de treinamento tem uma explicação fundamentalmente política: Dilma, Alckmin e Antonieta governam para os ricos, para os empresários, deixando ao povo pobre promessas, palavras ao vento e migalhas.

Afinal, como explicar tamanha disposição política para receber a Bósnia ao mesmo tempo em que a prefeita Maria Antonieta afirma, sem constrangimento, não ter recursos para contratar um pediatra para o Pronto Socorro de Vicente de Carvalho - distrito do Guarujá cuja população representa quase metade do total de habitantes do município (mais de 150 mil pessoas)?

Além da falta de equipamentos básicos, como remédios e ambulâncias, o único Pronto Socorro que existe não dispõe de um único pediatra. Não por acaso, foi palco de uma tragédia anunciada em janeiro: por falta de atendimento, uma criança de um ano e oito meses faleceu.

Recentemente, Guarujá ainda ganhou um título ingrato: foi a cidade com maior taxa de roubos em 2013 no estado de São Paulo, fruto da falência de políticas públicas para a geração de empregos e formação educacional de qualidade.

Por isso, é com grande indignação que encaramos a visita de Aldo Rebelo ao Guarujá. Suas declarações estão desprezam por completo o drama de centenas de famílias que diariamente sofrem com o sucateamento dos serviços públicos. "Não estou satisfeito, estou muito satisfeito", disse o ministro sobre o estádio. Evidentemente, seria um tanto espinho se ele fosse forçado a responder, ao lado de Antonieta, se está satisfeito com a situação da saúde pública não só do Guarujá, mas de todo o país.

Na Copa vai ter luta! 
Desde as jornadas de junho, os governos vêm fazendo um enorme esforço para fechar o ciclo de lutas que se abriu quando milhões de brasileiros foram às ruas lutar contra as injustiças da Copa e exigir mais investimentos nos serviços públicos - completamente abandonados.

E essa tentativa não vem sendo feita apenas com declarações na imprensa, apenas pela disputa ideológica das palavras. Por trás de entrevistas como a de Aldo Rebelo, para quem "a grande manifestação será a realização da Copa, porque no futebol o que importa é o próprio futebol", existe um forte aparato repressivo para criminalizar os lutadores e transformar todos aqueles que vão às ruas em terroristas.

No Guarujá, um ato que reuniu mais de 100 pessoas no dia 28 de fevereiro contra o caos na saúde experimentou a repressão policial na pele. Um contingente desproporcional de policiais militares, auxiliados por dezenas de guardas municipais, foi destacado para intimidar e cercear o direito de manifestação. Por muito pouco não assistimos a uma violência gratuita contra mulheres e até mesmo crianças. Fuzis foram apontados para os manifestantes e um deles, o pai da criança que faleceu pelo descaso da Prefeitura, chegou a ser agredido fisicamente.

Para Aldo Rebelo, "há pequenos grupos interessados em perturbar a Copa" e que "se houver manifestações, serão mínimas". A realidade nos mostra o inverso. Está cada vez mais evidente que "nunca foi só por 20 centavos" e que o povo voltou a acreditar em suas próprias forças, voltou a experimentar o poder da luta direta. 

Os garis, com sua greve vitoriosa sobre o autoritarismo de Eduardo Paes, nos mostrou o caminho: é preciso lutar, é possível vencer. O povo do Guarujá vem se organizando. Maria Antonieta e Aldo Rebelo que se cuidem, porque na copa vai ter luta!

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