14 de fevereiro de 2014

Como fazer uma campanha suja?


14/02/2014 - Por Jeferson Choma

Os governos Dilma, Cabral, assim como a direita, estão tentando se aproveitar da trágica morte do cinegrafista Santiago Andrade, sem respeitar sequer a dor de seus familiares. O objetivo é claro: criminalizar o conjunto dos movimentos sociais e dar um golpe nas manifestações que questionam o caos dos transportes públicos e os gastos da Copa.

Logo após a prisão dos dois acusados de acionar o rojão que atingiu o cinegrafista, estes governos não perderam tempo em exigir a “mão pesada da ordem” sobre as manifestações. Tentam se aproveitar do clima de comoção nacional para aprovar a toque de caixa a chamada lei antiterrorismo, apelidada (com justiça) de “AI-5 padrão FIFA”. O objetivo é claro: ampliar a escalada repressiva e a perseguição contra as manifestações e os movimentos sociais.

Vale lembrar que, desde as mobilizações de junho, diversos setores dos trabalhadores e da juventude brasileira aprenderam uma importante lição: que é possível lutar, realizar protestos e conquistar suas reivindicações. Por isso assistimos desde passeatas de policiais até manifestações nos bairros populares. A lei antiterrorismo vai tentar amedrontar e evitar a reedição das mobilizações que tomaram o país depois de junho.

Também é parte da estratégia de criminalização envolver organizações que nada têm a ver com as ações realizadas por organizações como os “Black Bloc’s”. É o que está acontecendo neste momento com o PSTU e o PSOL. Nesse dia 13 foi divulgada amplamente pela imprensa a suposta participação destes dois partidos num suposto esquema de financiamento de militantes que participam dos protestos.

Trata-se de uma mentira que está se transformando em uma verdadeira campanha suja pela imprensa. O ataque ao PSTU tem como objetivo atacar um partido que desde o início apoiou e esteve presente nos protestos. Todos sabem que desde o ano passado o PSTU foi o único partido de esquerda que criticou publicamente os Black Blocs por discordar de sua metodologia de ações por fora e (muitas vezes) contra o movimento.

Nesta quinta-feira, 13,  o blogueiro de O Globo, Ricardo Noblat, deu o tom da campanha. Mesmo sem nenhuma prova, ele postou a nota intitulada “Beneficiários da violência”, na qual acusa a extrema-esquerda “como o PSOL e o PSTU” por se favorecerem com os confrontos. “Eles querem chegar ao poder a qualquer preço. Sem bandeiras capazes de atrair votos no curto prazo, apelam para a violência. E alguns dos seus integrantes chegam ao ponto de financiá-la”, diz.

Em nota, o PSTU refuta as acusações, responsabiliza os governos pelo aumento da repressão e reafirma suas diferenças com os “Black Bloc’s”. Diferenças estas publicadas em inúmeros artigos do Portal do partido, que sequer foram consultados por Noblat.

Perguntamos ao blogueiro: por que não investigar as relações do advogado dos acusados com o governo Cabral e com as milícias que atuam no Rio de Janeiro? Esse advogado já defendeu o miliciano Natalino José Guimarães. Em uma de suas entrevistas à imprensa, o advogado deixou clara suas críticas aos atos no Rio contra o governo Cabral.

A verdade que Noblat faz questão de esconder é que os maiores beneficiários com a morte trágica do cinegrafista são o governo Dilma, Cabral, as empreiteiras e a FIFA. Todos muitos satisfeitos com essa situação, porque querem passar a ofensiva e evitar as mobilizações em defesa do transporte, educação e saúde pública.  É esse o jogo que os governos e a FIFA fazem hoje. Quem mais vai jogar no time deles?

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